No século XVII, o poeta inglês John Donne escrevia que «nenhum homem é uma ilha» («No man is an island, entire of itself; every man is a piece of the continent, a part of the main»), ninguém vive isolado, todos nos ligamos ao todo por um istmo de terra, por muito etéreo que seja.

 

No século XX, o escritor português José Saramago reformulou o aforismo afirmando que «Todo o homem é uma ilha». Acrescentou, porém, que «Se não sais de ti, não chegas a saber quem és» (Conto da Ilha Desconhecida). Ser ilha não é, pois, para o homem, isolar-se, mas sim percorrer o caminho de si para os outros que o torna um território desconhecido mas aberto à descoberta.

No século XXI, os nossos alunos refletiram também sobre essa relação entre os homens e as ilhas e chegaram a algumas conclusões…

 «Na frase “Todo o homem é uma ilha” está subentendido o significado que realmente define o ser humano. Todos somos uma ilha até sermos “descobertos” pelos outros. Todos temos os nossos segredos até estes serem revelados. Todos nós temos os nossos tesouros e perigos até alguém “cair” neles. Por isso Saramago diz que todos somos uma ilha, pois as ilhas nunca poderão ser afirmadas como descobertas, já que todas elas, como nós, encerram mistérios e perigos que irão fascinar uns e desiludir outros.» (Catarina Angeja e Beatriz Ramos, 9.º A)

«Nem todas as ilhas são grandes, bonitas. É como na vida real. Porém, as ilhas, todas elas, têm a sua beleza, o seu tamanho, como os homens. A ilha é um território rodeado por mar, que é o que a torna «viva», mas também o que a pode «matar». Nós também somos assim, mas em vez de mar, estamos rodeados de homens, homens esses que nos podem manter vivos, como também nos podem aniquilar.» (Luana Sargedas e Luís Gomes, 9.º A)

Assim sendo, «se não sairmos de nós, se não nos abrirmos à vida, nunca saberemos quem somos e acabaremos como uma “ilha desconhecida”, um território que ninguém conhece nem mesmo aquele que lá vive.» (Catarina Caetano e Mariana Correia, 9.º A)

Também os outros, «enquanto não os conhecermos ou desembarcarmos neles, continuarão a ser para nós desconhecidos, tal como uma ilha que ainda não foi encontrada.» (Ana Raquel e Leonor Silva, 9.º A)

«Todas as ilhas são desconhecidas até que alguém as explore.»

(Cristina Isabel e Pedro Marinheiro, 9.º A