Vários testemunhos, várias possibilidades!

A ex-aluna da Escola Secundária de Sampaio, Susana Cardoso, foi entrevistada no início do ano a fim de apurar como tem sido a sua vida depois de passar pela experiência do Curso Profissional de Turismo. O que mudou, o que faz atualmente, se sente que este curso fez a diferença e que perspetivas de futuro tem daqui para a frente.

Foi muito bom constatar que o feedback é positivo e perceber que um curso profissional não é limitativo por si só como se julga: abre portas, oferece possibilidades e garante um futuro que, aliado à dedicação que caracteriza estes profissionais, se avizinha promissor.

Vejamos então o que contou esta jovem sobre o seu novo presente:

Entrevista a Susana Cardoso

Professora Cátia Rodrigues (C)-  Olá Susana, és técnica profissional de turismo, certo?

Susana Cardoso (S)-  Olá. Sim, considero-me uma técnica de turismo, uma vez que concluí o curso correspondente com sucesso.

C- O que quer dizer que foste uma das alunas a terminar definitivamente o curso no ano lectivo 2009/2010.

S- Exatamente.

C- Então e o que aconteceu depois de terminares o curso?

S- Após ter terminado o curso, candidatei-me ao ensino superior, que, desde sempre, foi um dos meus objetivos.

C- Qual o curso que frequentas?

S- O curso superior de Educação Básica.

C- Em que escola?

S- Estou no ensino privado. Instituto Piaget.

C- Isso é possível uma vez que vinhas de um curso profissional? Toda a gente diz que os cursos profissionais não dão acesso ao ensino superior. Como se desenvolveu esse processo?

S- É possível, claro. A ideia de que os cursos profissionais não dão acesso ao ensino superior está muito presente, mas não corresponde à realidade. O processo é bastante simples, basta concluir o curso profissional e fazer as provas de ingresso que a respetiva faculdade/curso exige, tendo uma nota positiva.

C- Claro, é então um mito. O que acontece é que os alunos têm apenas que ter os seus objetivos bem definidos, inscreverem-se nos exames nacionais específicos para o curso e faculdade que querem ingressar e fazer a sua candidatura, certo?

S- Certo. Tal como disse, o importante é ter os objetivos bem definidos.

C- Mas decidiste não continuar na mesma área de estudos. Porquê?

S- Sempre tive uma ideia muito ambígua em relação àquilo que queria seguir. Ora, queria seguir educação especial porque é muito gratificante e sinto-me muito útil, mais do que em qualquer profissão, ora queria seguir animação turística porque gosto de todos os desportos e aventuras. No entanto, vim a perceber que o conceito que caracteriza “animação turística” não vai de encontro àquilo que eu pensava. Assim, decidi enveredar pela educação.

C- De qualquer das formas, és técnica de turismo. Pões de lado a hipótese de vir a trabalhar na área?

S- Claro que não, até porque, neste curso, constatei uma situação muito engraçada. Queria seguir animação turística que acabou por me “desiludir” de certa forma, mas adorei estagiar num hotel, coisa que nunca me imaginaria a fazer. Logicamente que a hipótese não está definitivamente posta de lado.

C- Consideras então que o curso constituiu uma mais-valia na tua formação de base?

S- Sem qualquer tipo de dúvida.

C- Quais as grandes vantagens que poderias apontar no curso profissional que frequentaste?

S- Um conceito de trabalho muito mais aprofundado e uma informação/conhecimento muito específico à saída profissional.

C- E desvantagens?

S-Muito provavelmente o excesso de inf ormação dada no 1º ano. É transmitida muita informação e pouca assimilada.

C- O que sugeres como melhoria?

S- A carga horária bem distribuída pelos 3 anos, para que o interesse não se perca, uma vez que é um curso muito mais teórico do que se julga.

C. Quais as grandes diferenças entre o ensino secundário e o ensino superior?

S- Bem… eram necessárias umas duas páginas para responder a essa questão, mas, resumidamente, no ensino secundário, existe contacto com os professores, quer numa simples pergunta: “prof. posso ir à casa-de-banho?”, quer numa pergunta respetiva à matéria, o que não se passa precisamente no ensino superior. Constatei também que o grau de exigência é muito superior, quer ao nível do contexto das aulas, quer ao nível dos trabalhos e das avaliações.

C- A adaptação tem sido muito difícil?

S- Não diria difícil, mas é muito diferente daquilo a que estava habituada. Contudo, a ambição supera as adversidades.

C- Mas gostas do que fazes actualmente, certo?

S- Sim, claro. É um objetivo cumprido.

C- E no futuro? Que perspetivas tens para a tua vida académica e profissional?

S- Pretendo terminar a licenciatura em Educação Básica para posteriormente tirar o mestrado em Educação Especial. Ao nível profissional, gostaria de trabalhar numa entidade com crianças com problemas psico-motores.

C- Aconselharias os atuais alunos dos cursos profissionais a ingressar na faculdade? Porquê?

S- Depende muito do interesse pessoal. Hoje em dia, um curso profissional é muito valorizado e benéfico. Contudo, se quiserem aprofundar os seus conhecimentos, é claro que aconselho. Só traz mais-valias.

C- Um dos grandes bloqueios ao ingresso no ensino superior, hoje em dia, são as questões financeiras. Como tens gerido a situação a este nível?

S- Quando existe um verdadeiro objetivo, consegue-se ultrapassar as adversidades com algum esforço. Fazendo um pequeno parênteses para os novos alunos: aproveitem agora, os pais dão uma grande ajuda.

C- Ou seja, quando se tem força de vontade e se é dedicado, tudo se consegue, certo?

S- Exactamente, tem é que existir esforço.

C- Queres deixar alguma mensagem aos novos e actuais alunos do curso?

S- Sim. Aproveitem, não há vida melhor que esta. Quanto mais se aproxima a data desta etapa terminar, mais se dá o valor. Portanto, dêem o vosso melhor, esforcem-se para marcar a diferença. Não queiram copiar ou ser igual ao do lado, sejam próprios e únicos. Desta forma, o vosso valor será reconhecido.

C- Susana, muito obrigada pela tua disponibilidade, simpatia e colaboração. Muita sorte e um ótimo futuro é o que, em nome da ESSampaio, te desejo.

S- Foi com todo o gosto que respondi. Obrigada.

Professora Cátia Rodrigues