8ª edição da Escola de Verão de Física da Universidade do Porto

Após ter participado na 7ª edição da Escola de Verão de Física, queria voltar a estar e trabalhar com os melhores. Assim, estive atento às novidades da 8ª edição, ao longo do passado ano letivo. Soube, então, que iria realizar-se um curso sobre planetas, a minha área favorita da Astrofísica, e que os participantes poderiam delinear os seus projetos, de acordo com a sua preferência, no âmbito da Física, da Engenharia Física e da Astronomia.

Um curso sobre planetas e um projeto relacionado com a Astronomia era um acontecimento imperdível, por isso, candidatei-me e, desta vez, não era fácil, pois já tinha participado no ano anterior e só 100 participantes podiam ser selecionados, apesar de ter uma boa média de acesso.

No dia da apresentação, reencontrei alguns dos participantes, inclusive o meu antigo monitor, e fiquei a saber que íamos partilhar o quartel, onde iríamos dormir, com os selecionados de Saúde, de Matemática e com alguns colegas que estavam a fazer Física, pela segunda vez, na Escola de Verão. Fiquei também a saber com que grupo ia trabalhar o meu projeto, “As ferramentas da astronomia extragalática”, e qual ia ser o meu monitor. O mais engraçado, ainda, foi saber que os monitores da Vértico, que iam acompanhar os grupos desde as 18.00h até ao dia seguinte, eram os mesmos. É preciso ter muita sorte!

Exemplo de uma galáxia espiral colorida artificialmente, através do espectro fornecido pelo SDSS
Fonte: SDSS

A semana passou a correr. Durante o dia, aprendemos mais sobre os planetas e a relatividade, assunto recente que me fascina, até porque abre possibilidades de resposta à pergunta: “Estamos sozinhos no universo?”. Espero bem que não! Em relação ao projeto que desenvolvi, este baseava-se em cálculo e análise de gráficos. A astronomia é assim e eu adoro-a. Através da análise de gráficos fornecidos pelo Sloan Digital Sky Survey (SDSS), conseguíamos saber se as galáxias estavam a formar muitas estrelas e que tipos de estrelas continham. Claro que não sabíamos fazer tudo, por isso, tínhamos um monitor para nos ajudar a resolver alguns problemas e a analisar gráficos.

A partir das 18h, a Vértico realizava atividades para as três escolas de verão para promover o espírito de equipa e para os participantes se conhecerem uns aos outros. Nas quatro noites que estivemos com os monitores, demos uma volta pelo Porto, jogámos bowling, assistimos a um concerto e fomos a uma discoteca.

Em relação às dificuldades, não tive nenhuma, uma vez que os professores explicavam muito bem e de uma forma simples. Consolidei alguns conhecimentos sobre a relatividade e, em relação aos planetas, aprendi que existem novos métodos para descobri-los, assim como aos seus defeitos, que podem conduzir a falsos positivos (outros objetos que se confundem com planetas).

A mesma galáxia, sem a coloração artificial
Fonte: SDSS

Em relação às palestras, houve uma em inglês “The elegant universe”, que tratou de assuntos muito recentes, como o bosão de Higgs e a teoria das cordas. As outras, sobre telescópios do futuro e sobre a Física ultrafria, demonstraram-nos a abrangência desta ciência.

No último dia, os grupos apresentaram os seus projetos aos colegas, aos monitores e a professores da Universidade, inclusive ao coordenador do Departamento de Física, e ainda a alguns pais. Era a hora dos alunos brilharem! Tudo correu bem para todos e houve muitas questões colocadas pelo público, porque os presentes estavam lá para aprender mais.

A mensagem principal, este ano, foi que a Física é mais globalizante do que pensamos, porque o que damos na escola equivale a um grão de areia, perante esta ciência que é equivalente ao planeta Terra.

Foi uma semana inesquecível, num ambiente de convívio fantástico. Recomendo aos meus colegas da Escola Secundária de Sampaio que frequentem a Escola de Verão de Física da Universidade do Porto. É imperdível, pois aprende-se imenso, faz-se bons amigos e divertimo-nos muito.

Carlos Miguel Callaty Garcia, 12º C